Quem sou eu

Eu sou eu, meus eus e os seus.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

DEVANEIO







" O autoconhecimento de cada indivíduo, a volta do ser humano às origens, ao seu próprio ser e a sua verdade individual e social, eis o começo da cura da cegueira que domina o mundo de hoje".
                 Carl Gustav Jung.
                  Zürich, 1918
             O corredor comprido e muito estreito sobre olhares curiosoa daquelas pessoas confinadas em suas clausuras de recuperação psiquiátrica, entrelaçados na força estranha e na energia da luz, atría- me em um caminho para alcançar os setenta e dois degraus da escada. Na porta, um rosto estranho deixava sobressair na janelinha o seu sorriso, transmitindo tranquilidade através da face cheia de tumores formados por sangue extravasado e seus três olhos grandes.
             A  porta de madeira mágica abriu- se e todos nadamos num mar de energias.
Diante de minha pessoa, desenha- se as velhas ruínas de São Miguel de Arcanjo. Colunas, altares, crianças tocando flautas, a torre decorada com as quatro cabeças de cobras, a flor de lótus, a cruz de lorena, santos, anjos, os atlantis, os jesuítas, os sons do badalar do sino... o seu esoterismo.
              Ando na direção onde grupos de pessoas compostas por cianças, adultos e velhos apreciam atenciosamente a palestra do padre jesuíta, onde discorre sobre os cuidados e higiene para com o corpo e sobre a morte; sendo a morte o momento de transição, seja nas vidas passadas, no presente, ninguém jamais estará sozinho, não sendo um fim, mas um passaporte para esses destinos desconhecidos. Ao olhar do padre jesuita tornei- me cúmplice com aquela situação.
            Nesse momento a Gessi, menina de estatura média, dezessete anos, pele clara, cabelos escuros, deficiente mental, pega minha mão direita direcionando ao caminho a fim de algo aprendermos nas dolorosas experiências de uma alma indiferente e ingrata .
Em círculo, começamos a entoar a cantiga de roda, "a ciranda", atraíndo diversas crianças flutuantes vestidas de túnicas brancas. De repente, um ruído estranho veio do balanço vazio, seu choro nos angustiava. Ficamos observando por uns instantes... somente uma nuvem branca se fez brincar conosco no círculo da ciranda. Entre risos, cantos, naquele momento lúdico- criativo ocorreu o relaxamento da tensões e dos conflitos e nossas almas envolvidas em ritmos precisos e regulares ligadas à pulsação de certas estrelas, tornara- se receptivas a vibração planetária e solar.
            O Cleverson com seu aspecto físico, completamente deformado, na froma de  um gigante, tendo apenas vinte e oito anos nos chamou e mostrou a escrita da palavra " casa", juntamente com a maquete feita de papelão. Mecanicamente, sem qualquer esforço, seguimos outro trajeto.
          O Papa coberto de vestes vermelhos e douradas, o Bispo e os jesuítas com seus dogmas, evangelização e seus pensamentos voltados para os fins a alcançar e os meios a empregar para tal, faziam parte deste, faziam parte deste círculo humano. Neste momento veio um receio e medo, pois não gostaria de pertencer aos reinos menores, ao ser inferior, a espécie que se ajusta ao automatismo, na herança e nos valores assinalados. Se a inteligência é seguida pela razão e a nossa razão pela rsponsabilidade sob a cultura, o reflexo precede o instinto, tanto quanto o instinto precede a atividade reflexiva sendo o trânsito para a maturidade.
           Observamos os campos verdejantes moviementados, onde o aglomerado de seres supra- humanos com quem convivi, na certeza de ter cumprido a missão. Como provar a missão? A máquina fotográfica tinha sido destruída por uma menina maleva que ao toque de sua mão queimo- a.
           Desci os setenta e dois degraus da escada e olhei novamente para trá e fitei aquele rosto com hematomas e seus três olhos, sorrindo satisfatoriamente pela minha passagem. Tinha um lembrete escrito em uma frase,escreva uma pequena prece envolvendo a comunidade da qual você faz parte:

" Fontes de luzes e raça supra- humana
que habitam no espaço cósmico
enquanto cumprimos nossas tarefas no dia de hoje, na Terra
queremos conhecer os mistérios do Universo.
Cada órgão do nosso ser, cada célula nervosa, cada átomo da carne e a protína a se regenerar,
eliminassem da  face do Brasil e da América Latiana
tamanha pobreza social e econômica dos seres que nela habitam".

            Desfez- se o sonho da repórter vestida de jeans, camiseta branca, blazer preto, em equilíbrio com o Universo e na busca da Filosofia Oculta do homem, para suprir sua ignorância no mundo, em outros mundos e dimensões.

        Sonho. domingo, três hora da manhã. 17- 02-1995

5 comentários:

Marjorie disse...

Infelizmente, florzita, a ignorância independe da esfera.

Um beijo

Eunisia disse...

Mas, é apenas um devaneio...hermana!
Abs

Marjorie disse...

Sim, sim... eu é que pensei alto!

=)))

Ricardo Valente disse...

muito bom
abraço!

Fábio Zen e Débora disse...

O caminho do auto conhecimento que citaste lá no começo seria bem mais fácil se dogmas impostos(de todos os tipos)desde sempre,nos impedem de ver,ou aceitar as coisas como elas realmente são,independente de formas, aspectos.Abrç.Belíssimo
texto.

Canibalismo?
http://oficinamissoes.blogspot.com/